25 de junho de 2008


          Encontrei hoje em ruas, separadamente, dois amigos meus que se haviam zangado . Cada um me contou a narrativa de por que se haviam zangado. Cada um me disse a verdade. Cada um me contou as suas razões. Ambos tinham razão. Ambos tinham toda a razão. Não era que um via uma coisa e outro outra, ou um via um lado das coisas e outro um lado diferente. Não: cada um via as coisas exatamente como se haviam passado, cada um as via com um critério idêntico ao do outro. Mas cada um via uma coisa diferente, e cada um portanto, tinha razão.

Fiquei confuso desta dupla existência da verdade.


19 de junho de 2008


Recuperado do mau humor de ontem, e com a missão de quebrar a regra de só escrever aqui quando estou furioso ou coisa assim, vou começar o dia com um belo texto de Robert Fulghum.


Tudo que eu realmente preciso saber sobre a vida... Como ser.... Aprendi no jardim da infância.

Não foi na universidade nem na pós-graduação que eu encontrei a verdadeira sabedoria, e sim no recreio do jardim da infância. Compartilhar, brincar dentro das regras, não bater nos outros, colocar as coisas de volta no lugar, limpar a própria sujeira, não pegar o que não é meu, pedir desculpas quando machucava alguém, lavar as mãos antes de comer, puxar a descarga do banheiro.

Também descobri que café com leite é gostoso, que uma vida equilibrada é saudável e que pensar um pouco, aprender um pouco, desenhar, pintar, dançar, planejar e trabalhar todos os dias, nos faz muito bem. Tirar uma soneca à tarde, tomar muito cuidado com o trânsito, segurar as mãos de alguém e ficar juntos, são boas formas de enfrentar o mundo.

Prestar atenção em todas as maravilhas e lembrar da pequena semente que, um dia, plantamos em um copo de plástico. As raízes iam para baixo e as folhas iam para cima, mas ninguém realmente sabia nem porquê. Mas nós somos assim!

Peixinhos dourados, ratinhos brancos; e até mesmo a pequena semente do copo de plástico, tudo morre um dia. E nós também.

Tudo que você realmente precisa saber esta aí. Faça aos outros aquilo que você gostaria que fizessem para você...
Amor, higiene básica, ecologia e política contribuem para uma vida saudável.

Penso que tudo seria melhor se todos nós - o mundo inteiro - tomássemos café com leite todas as tardes e descansássemos um pouquinho abraçados a um travesseiro. E ainda é verdade que, seja qual for a idade, - o melhor é darmos as mãos e ficarmos juntos!

18 de junho de 2008

À Srª. Cassan
"Amanhã será como hoje, e o dia seguinte como ao que ontem precedeu", disse Apollonius. "Vejo seus dias restantes, cada, como quietas e tediosas coleções de horas. Você não viajará mais a lugar algum. Não pensará novos pensamentos. Não experimentará qualquer nova paixão. Mais velha se tornará, porém não mais sábia. Mais dura, entretanto não mais dignificada. Sem filhos está, e sem filhos permanecerá. Daquela flexibilidade que uma vez possuiu na juventude, daquela estranha simplicidade que uma vez atraiu alguns poucos homens a ti, nada perdura, e tampouco recuperará qualquer um deles uma vez mais. As pessoas falarão e sairão com você por piedade, e não mais por que tenha qualquer coisa a oferecer-lhes. Você já observou um daqueles sabugos velhos, tornando-se marrom, morrendo, mas se recusando a cair, no qual os pássaros pousam aqui e ali, mal sabendo de que se trata? Isso é você. Eu não consigo imaginar qual seja seu lugar na Economia da vida... Um ser vivo deve criar ou destruir, de acordo com sua capacidade e capricho, mas você, você não faz nenhum dos dois. Você vive apenas sonhando sobre as coisas maravilhosas que gostaria que lhe acontecessem, mas que nunca ocorrem; e fica devaneando sobre por que as vidas jovens próximas, que ocasionalmente repreende por algum capricho fantástico, nunca a escutam, e parecem fugir à sua aparição... Quando você morrer, será enterrada e esquecida, e isso é tudo. Os coveiros irão enclausurá-la num caixão à prova de vermes, selando para a eternidade a carne de sua inutilidade. E para tudo de bem ou mal, criação ou destruição, que sua vida pudesse ter realizado, você poderia muito bem ter jamais existido. Eu não vejo propósito em tal vida. Só consigo enxergá-la como vulgar, um chocante desperdício."

Moral:
É que algumas pessoas vivem, outras apenas existem.
E tenho dito.